Júlio Pomar

Júlio Artur da Silva Pomar nasceu a 10 de janeiro de 1926, em Lisboa. Foi um artista plástico e pintor. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e as Escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto. Com 16 anos fez a sua primeira exposição, tendo a sua pintura "Os Saltimbancos" sido comprada por Almada Negreiros. Júlio Pomar colabora com críticas e textos em revistas como "Mundo Literário", "Seara Nova", "Vértice", "Horizonte", entre outras. Em 1945, junta-se às Juventudes Comunistas, e no ano seguinte ao MUD Juvenil. Em 1946 inicia um mural no Cinema Batalha, no Porto, e é um dos principais organizadores e expositores das Exposições Gerais de Artes Plásticas realizadas na Sociedade Nacional de Belas Artes entre 1946 e 1956. Uma das suas pinturas é apreendida pela polícia política na segunda exposição, em 1947, e neste ano expõe individualmente pela primeira vez na Galeria Portugália, no Porto. É preso pela PIDE durante 4 meses por oposição ao regime de Salazar, e o mural do Cinema Batalha é destruído por imposição do governo. Realiza novas exposições individuais e participou na II Bienal de São Paulo em 1953. Foi para Paris em 1963 e foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian de 1964 a 1966. Em 1967 realiza as primeiras "assemblages" com materiais encontrados. Expõe de novo em Lisboa, e a partir de 1969 dá início à colaboração regular com a Galeria 111 que passa a representá-lo em Portugal. Júlio Pomar permanece em Lisboa após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e expõe a primeira retrospetiva da sua obra, em 1978, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa e no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. Em 1984 expõe "Um ano de desenho - quatro poetas no Metropolitano de Lisboa", no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1991 pintou o retrato oficial do Presidente da República Mário Soares, que se encontra no Museu da Presidência da República, no Palácio de Belém. Durante a sua vida criou desenhos, pinturas, gravuras, cerâmicas, esculturas, assemblagens. A obra pública de Júlio Pomar inclui os painéis cerâmicos da Avenida Infante Santo e do Campo Grande, a estação do metropolitano do Alto dos Moinhos em Lisboa e outras intervenções artísticas em diversas cidades. Publicou livros de ensaios sobre pintura e dois livros de poesia. Em 2003 inaugurou o Atelier-Museu Júlio Pomar criado para conservar e divulgar a sua obra, através de exposições, eventos, conferências e atividades educativas com um acervo de várias centenas de obras, doadas por ele à Fundação Júlio Pomar e que inclui pintura, escultura e desenho. Júlio Pomar recebeu vários prémios e distinções, como a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, Grande Oficial da Ordem da Liberdade, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, atribuída pelo Ministério da Cultura de França, Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Lisboa, em 2013 e Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores em 2017. Trabalhou e viveu entre Paris e Lisboa até à sua morte, com 92 anos, no dia 22 de maio de 2018, em Lisboa.