Castelo de Vide
Programa de caráter documental apresentado por Paula Moura Pinheiro que convida Susana Bastos Mateus para uma visita guiada ao Castelo de Vide, no Alto Alentejo, onde até ao final da década de 80 de 1400, viviam cerca de 15 famílias judias que aumentaram para cerca de 5 mil a partir de 1492, com o Édito de Expulsão emitido pelos reis católicos.
Resumo Analítico
Vista aérea da vila de Castelo de Vide, sinalética direcional para "Castelo", "Judiaria" e "fonte da vila", ruas do bairro judeu, pintura do retrato oficial de Isabel I de Castela, e de Fernando II de Aragão e V de Castela e Leão, grafismo Portalegre e Castelo de Vide assinalados no mapa de Portugal, gravura de Garcia de Orta, médico, pintura "O Tribunal da Inquisição" de Francisco Goya, vista da vila, Portalegre e Castelo de Vide assinalados no mapa de Portugal, Castelo de Castelo de Vide, ruas da vila. Susana Bastos Mateus, investigadora, que caracteriza a vida dos judeus de Castelo de Vide tranquila até ao final de 1480, onde mais de dez famílias viviam em paz com a comunidade cristã da vila num bairro específico chamado Judiaria, os portões dos topos das ruas abriam de manhã permitindo aos judeus e cristãos frequentar os mesmos espaços e ruas, gravuras, a permissão dos costumes e práticas dos judeus facilitavam a identificação dos mesmos quando circulavam na rua, a tradição de literacia na comunidade judaica. Susana Bastos Mateus realça a abertura no umbral da porta de uma casa de Castelo de Vide, onde se colocava a chamada Mezuzá, pequena peça que continha no interior um papel com as palavras de uma oração importante para os judeus "Shemá Israel" e que acabava por sinalizar que as casas eram ocupadas por judeus, interior da casa que muitos acreditam ser a Sinagoga de Castelo de Vide destacando-se uma estrutura considerada uma arca sagrada, um armário para guardar os rolos da escritura sagrada do judaísmo "Torah", destaque para Torah, gravura. Interior do Museu da Sinagoga destacando-se vários objetos em exposição como Hanukia (Hanukkah), lava-mãos e bolo de massa, gravura da preparação do pão ázimo para a festa da Pessach, Páscoa Judaica, de 1300, fotografias da bênção dos borregos na festa da Pessach. Placas de toponímia "Rua da Judiaria" e "Rua do Mestre Jorje" destaque para Estrela de Davi representada no empedrado da rua, imagens em movimento das ruas da vila, Susana Bastos Mateus a propósito da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, pelos reis católicos, que culmina num crescendo de violência e um certo movimento antijudaico que se fazia sentir na Península Ibérica, motivando uma maior tensão social e levando alguns judeus a converterem-se ao cristianismo criando assim uma situação social complexa onde na mesma família podiam existir indivíduos que permaneciam judeus e outros que se tinham convertido ao cristianismo, intercalado com fotografia do édito de expulsão de 1492 e gravuras, o estabelecimento da Inquisição em Castela e Aragão em 1478 antes do decreto de expulsão, pintura representativa do Auto da fé presidida por São Domingos de Gusmão, de Pedro Berruguete, a fuga de vários cristãos perseguidos pela Inquisição em Castela e Aragão, para Portugal na década de 80 do século XV, o clima de instabilidade vivido em Espanha começa a contaminar o território português, pintura do retrato oficial de Isabel I de Castela, e de Fernando II de Aragão e V de Castela e Leão, fotografia do édito de expulsão em 1492, a chegada de cerca de 5 mil judeus a Castelo de Vide com o édito de expulsão emitido pelos reis cristãos, vista dos arredores da vila, vista aérea de Castelo de Vide, o acolhimento da comunidade judaica de Castelo de Vide aos seus irmãos perseguidos, gravura dos refugiados. Susana Bastos Mateus sobre os pais de Garcia de Orta, também eles refugiados de Castela, gravura de Garcia de Orta, médico, breve biografia de Garcia de Orta, gravura Colóquios dos Simples de Garcia de Orta, a influência do édito congénere que é emitido em Portugal, no espaço de quatro anos, devido à pressão castelhana, retrato de Dom Manuel I, e de Isabel de Aragão, a promulgação de várias medidas por Dom Manuel I que tendem a dificultar a saída dos judeus com o objetivo destes se converterem ao cristianismo, passando assim a ter uma sociedade uniformizada religiosamente não perdendo as mais-valias desta comunidade, as conversões forçadas dos judeus, gravuras da "Consolação às Tribulações de Israel" excerto cap. XXVIII, de Samuel Usque, judeu português de 1553, o aparecimento do fenómeno dos cristãos novos portugueses em 1497, gravuras com a transformação da sociedade portuguesa numa sociedade vigilante por denúncias de supostas práticas judaicas, gravura do Monitório do Inquisidor Geral, Dom Diogo da Silva, oliveira com azeitonas, a trajetória trágica da família de Garcia de Orta, que fugiu de Portugal e refugiou-se em Goa onde acabou por ser presa e condenada pela Inquisição, gravuras de Goa nos finais do século XVI e de um auto de fé em Goa. Casas da Rua Nova de Castelo de Vide para onde se mudou a primeira geração de cristãos novos, destaque para casa com a inscrição de um peixe no umbral da porta que identifica uma antiga família judaica que se converteu ao cristianismo, a falta de documentação da história da comunidade judaica, imagens das ruas da vila. Vista da vila de Castelo de Vide e arredores, Amesterdão como o destino da diáspora judaica portuguesa, pintura da sinagoga portuguesa de Amesterdão de 1680, o caso da família do filósofo Bento de Espinosa, que depois da passagem por Castelo de Vide acabam por se estabelecer em Amesterdão, pintura do retrato de Bento de Espinosa, 1632 a 1677, mapa destacando-se a Península Ibérica, a fuga dos judeus por vários países do mundo e a criação da língua própria, as palavras da língua portuguesa derivadas do hebraico como sábado e Páscoa, vista aérea de Castelo de Vide.