As Restauradoras – Parte I
Programa apresentado por Natália Correia, poetisa e escritora, sobre o lado matriarcal da vida portuguesa, dedicado a Luísa de Gusmão, primeira rainha da quarta dinastia portuguesa, e às heroínas da restauração, Filipa de Vilhena e as duas Marianas de Lencastre, são também referidas as mulheres da cultura do século XVII que a restauração teve como supremo objetivo defender, a pintora Josefa de Óbidos, e as poetisas Bernarda Ferreira de Lacerda, Soror Violante Montesino, Soror Maria Madalena Eufémia da Glória e Soror Maria do Céu.
Resumo Analítico
Assembleia da República, Sala do Senado, Natália Correia fala da representatividade feminina nas eleições legislativas em 1983, telas de Carlos Reis em que a pátria é representada por uma mulher, busto da República da autoria de Tomás da Costa. Natália Correia fala da representação feminina no simbolismo da pátria que devia chamar-se Mátria como recomendou o padre António Vieira e a partir da ideia que por trás da decisão histórica de um homem está a sabedoria e a vontade de uma mulher introduz a personalidade central deste programa, Dona Luísa de Gusmão. Retrato a óleo de Luísa de Gusmão, nascida em 1613, filha do duque de Medina Sidónia e que, pelo seu casamento com Dom João, duque de Bragança, veio a ser a primeira rainha da quarta dinastia portuguesa, Natália Correia explica como é que Filipe II de Espanha chega ao trono de Portugal, gravura retratando Filipe II que é jurado rei de Portugal nas cortes de Tomar em Abril de 1581 como Filipe I de Portugal, retrato a óleo do Duque de Bragança, futuro Dom João IV, painel de azulejos representando as últimas e decisivas reuniões dos conjurados existente no Palácio da Independência onde aquelas reuniões aconteceram, palácio de Dom Antão Vaz de Almada, um dos conspiradores de 1640. Retrato a óleo de Dom Antão Vaz de Almada, fachada do Palácio da Independência, frontão da Igreja de São Domingos, fachada do Teatro Nacional Dona Maria II, chaminés do palácio, Natália Correia explica que perante as hesitações de Dom João, Duque de Bragança, os conjurados chegaram a admitir a possibilidade de implantação de uma república, ilustrado com imagens do exterior do Palácio da Independência, e fala do convite que os conjurados fizeram a João Pinto Ribeiro, homem próximo do Duque de Bragança, para participar na reunião do dia 12 de Outubro de 1640, tendo este proposto que aclamassem Dom João quer ele consentisse ou não. Retrato de João Pinto Ribeiro, ilustre jurisconsulto que defendia a tese que os nobres portugueses não podiam militar nas guerras de Espanha, quadro dos conjurados, estátua equestre do Rei Dom João IV, fachada do palácio de Vila Viçosa onde Dom João chama Pinto Ribeiro, que o informa da intenção dos conjurados à qual Dom João dá o seu apoio formal, quadro da autoria de António Soares retratando Dona Luísa de Gusmão, Natália Correia, com base na obra "Portugal Restaurado" da autoria do Conde da Ericeira, explica que terá sido Dona Luísa de Gusmão que terá levado o marido a aceitar a coroa, tendo como mais acertado morrer reinando do que acabar servindo o que foi popularizado na famosa frase "antes rainha uma hora do que duquesa toda a vida!". Retratos de Dom João e de Dona Luísa de Gusmão, vista de Vila Viçosa, os atores, Fátima Murta e José Eduardo, interpretam diálogo entre Dona Luísa e Dom João quando este medita em relação à resposta a dar ao pedido para acompanhar o rei à Catalunha e Dona Luísa influencia o duque na sua decisão de aceitar a coroa portuguesa. Natália Correia explica porque é que esta cena, extraída de peça do sacerdote Manuel Araújo de Castro publicada em 1645, vem calar aqueles que têm negado o mérito a Dona Luísa de Gusmão de ter levado o marido a aceitar a coroa e reflete sobre o facto do peso e da importância feminina se tornar uma aberração no mundo burguês das liberdades, pinturas alusivas à revolta do dia 1 de Dezembro de 1640, quadro de Veloso Salgado, representando a aclamação de Dom João IV no Terreiro do Paço. Natália Correia diz que concorda com Hipólito Raposo quando este considera a duquesa tão digna quanto o seu marido do epíteto "A Restauradora", monumento aos Restauradores na baixa lisboeta. Gravura de Filipa de Vilhena, heroína da restauração, a armar os seus filhos cavaleiros na véspera da conjura, Natália Correia explica que Almeida Garrett, contribuiu para a celebridade de Filipa de Vilhena ao escolhê-la para tema da sua peça homónima já que esta não fez mais que outras mulheres envolvidas na conjura como Dona Mariana de Lencastre, que também armou os seus filhos cavaleiros e introduz outra Mariana de Lencastre, amazona portuguesa injustamente esquecida, vista de Monção, Natália Correia junto à margem do rio Minho explica que é Mariana de Lencastre, condessa de Castelo Melhor, que vai organizar a defesa de Monção, praça que o seu marido deixara entregue a uma pequena guarnição para ir atacar os espanhóis. A atriz, Fátima Murta interpreta Mariana de Lencastre mandando colocar artilharia na margem do rio Minho junto a Monção, vista do rio Minho, guarita do castelo de Monção, painel de azulejos alusivo à proeza de D. Mariana existente no Palácio da Rosa em Lisboa. Natália Correia fala do papel da mulher do século XVII na cultura que a restauração teve como supremo objetivo defender, vista de Óbidos, ruelas da vila, fachada da Igreja de Santa Maria de Óbidos, retábulo de Santa Catarina, da autoria de Josefa de Óbidos, que se encontra na igreja de Santa Maria de Óbidos, Natália Correia fala das origens de Josefa de Óbidos, fachada da casa de Josefa de Óbidos, situada na Rua Nova. Friso superior da nave central e painéis das naves laterais da igreja de Santa Maria de Óbidos que poderão ser da autoria de Francisco Zurbaran, pintor espanhol do século XVII, fachada da Igreja da Misericórdia de Óbidos, painéis do retábulo do altar-mor e telas do arco triunfal da autoria do mestre lisboeta André Reinoso, pintor barroco, Natália Correia fala da relação dos lugares bucólicos com o pendor naturalista de Josefa de Óbidos e explica que ela teve a originalidade de ser pintora e que não terá querido casar para se dedicar à sua arte, ruínas do casal da Capeleira, quinta extramuros onde Josefa também residia. Contratos notariais pelos quais a pintora adquiriu terras com grafismo de setas assinalando a assinatura de Josefa de Óbidos, Natália Correia explica que o isolamento monástico que os seus biógrafos lhe atribuem não se coaduna com a tradição que faz da sua casa um animado centro cultural que foi visitado por grandes personagens que frequentavam os banhos das Caldas da Rainha e vinham a casa da pintora para serem retratados. Muralhas do Castelo de Óbidos, retrato de Faustino das Neves, da autoria de Josefa de Óbidos.