A Linda Inês – Parte I

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Primeira parte do programa apresentado por Natália Correia, poetisa e escritora, sobre o lado matriarcal da vida portuguesa, história da paixão adúltera e fulminante de Pedro por Inês de Castro, mártir do amor sacrificado à dura razão de estado, cuja vida pertence à história e ao mito.

  • Nome do Programa: A Linda Inês
  • Nome da série: MÁTRIA I
  • Locais: Portugal
  • Personalidades: Natália Correia, Fátima Murta, Paulo Monteiro
  • Temas: Artes e Cultura, História
  • Canal: RTP 1
  • Menções de responsabilidade: Autoria e apresentação: Natália Correia. Produção e realização: Dórdio Guimarães.
  • Tipo de conteúdo: Programa
  • Cor: Cor
  • Som: Mono
  • Relação do aspeto: 4:3 PAL

Resumo Analítico

Natália Correia explica que não é fácil falar historicamente de Inês de Castro porque Inês pertence ao mito, por isso vai tentar respeitar a história e o mito, continua dizendo que Inês de Castro não era portuguesa mas que a considera portuguesíssima porque a sua paixão e morte constituem uma fonte de inspiração para os nossos poetas e porque o seu mito é obra da imaginação portuguesa que a elegeu como mártir do amor sacrificado à dura razão de Estado. Pormenores do túmulo de Inês de Castro que se encontra no mosteiro de Alcobaça, Natália Correia fala do casamento de D. Pedro, príncipe de Portugal, com D. Constança, nobre castelhana, gravuras retratando Inês de Castro, a atriz, Fátima Murta interpreta D. Inês que nos chega de além-túmulo para nos contar como começou o seu amor com D. Pedro. Natália Correia explica que esta fantasmagoria é retirada das "Trovas à Morte de Inês de Castro" da autoria de Garcia de Resende, e explica que estas trovas são a fonte de diversos autores que dramatizaram o amor de Pedro e Inês, como é o caso de Camões nos Lusíadas, cujo excerto lê, e de António Ferreira, autor da tragédia "A Castro". Gravura retratando D. Constança, mulher de D. Pedro, gravura retratando D. Pedro, gravura retratando D. Inês de Castro, que é convidada por D. Constança para madrinha do filho que espera, com a intenção de a afastar de D. Pedro, Natália Correia diz-nos que o infante morre logo após o batizado e a paixão de Pedro e Inês vai crescendo apesar de não se poder consumar devido à cláusula do casamento de D. Constança, que impedia D. Pedro de ter amantes, perante o escândalo, o rei D. Afonso IV, resolve expulsar Inês do reino, e esta recolhe-se no castelo de Albuquerque, gravura de D. Constança no leito antes morrer quando dava à luz D. Fernando, gravura retratando D. Fernando, que viria a ser o herdeiro do trono. Os atores Fátima Murta e Paulo Monteiro, encenam Pedro e Inês enamorados, que passam a viver como marido e mulher no Paço de Santa Clara em Coimbra, após a morte de D. Constança, como contado pelo cronista Fernão Lopes. Natália Correia, junto à fonte associada ao amor de Pedro e Inês na Quinta das Lágrimas, chamada Quinta do Pombal no século XIV, fala da questão da localização da Fonte dos Amores, fonte que jorra de um arco do século XIV, que poderá ser a verdadeira fonte de Pedro e Inês, os atores, Fátima Murta e Paulo Monteiro, encenam Pedro e Inês enamorados nos jardins da Quinta das Lágrimas. Natália Correia refere "A Castro" de António Ferreira, peça que inaugura a tragédia clássica em Portugal no século XVI, a atriz, Fátima Murta interpreta Inês celebrando o triunfo dos seus amores, num excerto da peça, Natália Correia explica que Afonso IV quer que Dom Pedro case com uma mulher conveniente à política do reino e que perante a recusa do príncipe nasce a suspeita que este tenha casado clandestinamente com Dona Inês, tendo a suspeita crescido quando Dom Pedro recusa a proposta para legitimar o seu casamento com Inês, passa então a ser prioritário evitar que seja reconhecida a condição de infantes aos filhos de Inês, é nesta perspetiva que o escritor Jorge de Sena nos apresenta uma nova explicação para o assassinato de Inês. Gravura alusiva ao casamento secreto de Pedro e Inês, casamento que pela legislação vigente só passaria a ter validade pública ao fim de sete anos de notória coabitação, os atores, Fátima Murta e Paulo Monteiro encenam Pedro e Inês enamorados, Natália Correia explica que, segundo esta perspetiva de Jorge Sena, Afonso IV manda matar Inês antes que termine o prazo que legaliza o casamento clandestino de Pedro e Inês e legitime como infantes os filhos de Inês, e cita a este propósito Fernão Lopes, refere também razões ligadas à influência dos irmãos de Inês, Álvaro e Fernando de Castro, sobre Dom Pedro, que convencem o príncipe português a fazer-se pretendente à coroa castelhana, situação que alarma o rei que vê o perigo de guerra com os estados vizinhos com os quais mantinha uma politica de neutralidade, acrescendo também a ameaça dos Castros eliminarem o herdeiro do trono Dom Fernando, para sentarem no trono um dos seus sobrinhos filhos de Inês. Excerto de filme luso-espanhol "Inês de Castro" realizado por Leitão de Barros, cena em que o ator Erico Braga interpreta Dom Afonso IV sentenciando à morte a linda Inês, Natália Correia junto às ruínas do Paço de Santa Clara comenta o estado desolador do paço fundado por Dona Isabel e conta que foi ali que Inês foi morta depois da reunião do Conselho em Montemor onde se destacaram as vozes implacáveis de Pêro Coelho, Diogo Lopes Pacheco e Álvaro Gonçalves e onde é lavrada a sentença de morte. A atriz, Fátima Murta interpreta Inês de Castro narrando como foi morta no seu ninho de amor.

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