o nosso século: 25 de Abril – Parte III
Terceira parte do programa apresentado pelas jornalistas Fernanda Mestrinho e Diana Andringa dedicado ao 25º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, assente no documentário "Torre Bela - Uma Cooperativa Popular " e a participação em estúdio de Camilo Mortágua, Manuel Macaísta Malheiros, Boaventura de Sousa Santos e Eduardo Lourenço.
Resumo Analítico
46m39: Reportagem "Torre Bela, imagens de uma ocupação" a partir de excertos do documentário "Torre Bela - Uma Cooperativa Popular" de Thomas Harlan. 01h16m08: Entrevista a Camilo Mortágua, líder da ocupação da herdade da Torre Bela, sobre o sentimento e o significado daquele processo para os trabalhadores que nele participaram, considera que a experiência foi excecional qualificando-a como a recuperação da dignidade das pessoas, que a violação da propriedade e da intimidade deve ser considerada tendo em conta o contexto e que as pessoas fazem-no tendo consciência disso e com respeito e que o objetivo de criar um espírito coletivo ainda não estava consciencializado. 01h20m42: Entrevista a Manuel Macaísta Malheiros, advogado, em que contextualiza a exigência de reforma agrária em terras de latifúndio e recorda que em 1962 as leis do trabalho não eram aplicadas no campo e é por isso que os trabalhadores agrícolas fazem greve pelas 48 horas de trabalho semanais, principalmente nos concelhos de Montemor-o-Novo, Alcácer do Sal e Grândola onde a PIDE intervém e tortura crianças e os trabalhadores rurais são julgados no tribunal plenário que os julga e acusa, não pela greve, mas de serem comunistas mesmo aqueles que não militavam no PCP, destaca a violência quotidiana praticada pela GNR e latifundiários e que nos seu entender a ocupação das terras e a tentativa de reforma agrária se deveram ao anos de exploração. 01h24m50: Boaventura Sousa Santos, sociólogo, diz que conhece a Torre Bela e elogia o papel de Camilo Mortágua como organizador, não vê violência na ocupação do palácio e reflete sobre as atuais relações no campo que não são muito diferentes e que a agricultura é que está diferente devido às transformações em curso, como a florestação que condiciona o desenvolvimento agrícola. 01h28m06: Eduardo Lourenço, filósofo, considera que o documentário parece paradigmático do carácter utópico da revolução, ressalta a sua não-violência e que parece que se volta ao século XIX e que, numa primeira fase, os trabalhadores tomam consciência da sua condição de servos da gleba porque não possuem nada.