o nosso século: 25 de Abril – Parte I (Cont.)
Continuação da primeira parte do programa apresentado pelas jornalistas Fernanda Mestrinho e Diana Andringa dedicado ao 25º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, assente em reportagens e com a participação em estúdio José Augusto Rocha, Tenente-Coronel Vítor Alves, Manuel Macaísta Malheiros, Nuno Teotónio Pereira e Luísa Teotónio Pereira, António Reis, Aurora Rodrigues, Teresa Rosmaninho, Tenente-Coronel Otelo Saraiva de Carvalho e Pedro Lobo Antunes.
Resumo Analítico
Reportagem "Viva a liberdade". 05m49: Entrevista a José Augusto Rocha, advogado, sobre o papel decisivo dos advogados na libertação dos presos políticos e recorda a sua chegada à Prisão de Caxias, na manhã de 26 de Abril de 1974, onde estavam civis, fuzileiros e colegas de profissão, como João da Palma Carlos e Jorge Sampaio, que estavam apreensivos com as dificuldades da libertação e que por isso decidiram negociar com os oficiais superiores presentes e o Tenente-Coronel Vítor Alves conta que na mesma altura, na Cova da Moura em Lisboa, a Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA) tenta convencer o General António de Spínola a não discriminar os presos políticos acusados de crimes de sangue ou furto. 09m15: Entrevista a Manuel Macaísta Malheiros, advogado, sobre a sua chegada à Prisão de Peniche, refere que não teve dificuldades em entrar na prisão porque conhecia o diretor do estabelecimento e o oficial que tinha ocupado a prisão, que as ordens eram a libertação dos presos político exceto dos acusados de crimes comuns, nomeadamente Francisco Martins Rodrigues, dirigente da Frente de Ação Popular (FAP), Rui d'Espiney da FAP e Aleixo da Liga de União e de Ação Revolucionária (LUAR) e a chegada da missão da Comissão Coordenadora do MFA (ao mesmo que o entrevistado vai contando episódios anedóticos). 13m52: Reportagem "a esperança cumprida". 16m10: Entrevista a Luísa Teotónio Pereira sobre como passou os dias 25 e 26 de Abril de 1974 e a libertação do pai Nuno Teotónio Pereira da Prisão de Caxias, relembra a ansiedade que viveu nas primeiras horas depois do golpe, receando o falhanço ou a utilização dos presos como reféns por parte da PIDE/DGS; no dia 26. 17m50: Entrevista a Nuno Teotónio Pereira, arquiteto e preso político detido no Estabelecimento Prisional de Caxias em abril de 1974, sobre a perceção da situação pelos presos nas primeiras 48 horas, desde as dúvidas que são esclarecidas com a chegada dos fuzileiros que substituem a GNR e que comunicam com os presos através das janelas, os contactos com os advogados e jornalistas a quem pergunta "A censura acabou mesmo?" e a decisão unanime de que ou saem todos ou não sai nenhum. 20m11: Vítor Alves e o Tenente-Coronel Otelo Saraiva de Carvalho assumem sentir orgulho quando ouvem depoimentos como o de Luísa e Nuno Teotónio Pereira relacionados com a libertação dos presos políticos. 20h55: Reportagem "de Portugal... bom vento" do jornalista Cesário Borga. 27m25: Reportagem "dois olhares de Espanha: Carrillo e Iribarne" de Cesário Borga. 31m51: Entrevista a António Reis, cofundador do PS e historiador, sobre o papel dos Estados Unidos da América (EUA) e da União Soviética (URSS) no processo revolucionário do 25 de Abril de 1974, sendo essencial distinguir entre as posição da URSS, que face à doutrina da Conferência de Helsínquia de 1975 respeita as fronteiras dos países da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), e as posições do Partido Comunista Soviético que apoio o PCP, a sobrevalorização da importância de Frank Carlucci, embaixador dos EUA em Portugal, e a sua influência que evita o apoio a organizações de extrema-direita, tais como o Exército de Libertação Português (ELP) ou o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), e promove Mário Soares, dirigente do PS. 34m57: Reportagem "repressão a 28 de Maio". 36m48: Entrevista a Aurora Rodrigues, antiga militante do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), sobre a sua detenção pelo Comando Operacional do Continente (COPCON) e a sua Prisão em Caxias, os assaltos às sedes do MRPP e de organizações associadas durante as quais eram detidas inclusivamente crianças, as diferenças entre o tratamento na prisão por parte da PIDE/DGS e o COPCON mas considera ambos humilhante, descreve exemplos de tortura que lhe foram infligidos e/ou que assistiu e afirma que continua sem saber o motivo para a sua prisão pelo COPCON e que não compreende o branqueamento da PIDE/DGS que alguns tentam fazer. 42m50: Entrevista a Teresa Rosmaninho, antiga militante do MRPP nos Açores, sobre o mandato de captura, a sua prisão nos Açores e a transferência para Lisboa, a bordo de avião militar com escolta policial, o tempo que esteve isolada na Prisão de Caxias e os exemplos dos camaradas do MRPP que tinham estado presos antes da Revolução de 25 de Abril de 1974 e a importância de resistir. 44m04: Entrevista ao Tenente-Coronel Otelo Saraiva de Carvalho, que confirma ter recebido um relatório confidencial (do Capitão que comanda o Forte de Almada) com informação sobre uma reunião de dirigentes do MRPP (que incluía Arnaldo Matos) que consideravam o MFA um alvo a abater e se elaboravam ações de desestabilização em todas as unidades militares, o MRPP torna-se uma organização extremamente ativa e por isso foram levados a cabo vários ataques/assaltos com o objetivo de prender o maior número de militantes e dirigentes, admite que a operação não devia ter sido entregue aos Comandos e esclarece que o COPCON não esteve envolvido com o que se passava na Prisão de Caxias. 47m00: Vítor Alves admite que existiram alguns excessos da Revolução de 25 de Abril de 1974, afirmando que disparar sobre pessoas não é o espírito do MFA, e Otelo Saraiva de Carvalho estabelece uma comparação entre a violência dos militantes do MRPP e o carácter pacífico da generalidade dos militantes antifascistas no antigo regime; Teresa Rosmaninho reconhece o carácter maioritariamente estudantil e privilegiado dos militantes do MRPP e acentua o facto de hoje ser possível debater democraticamente estes factos e de intervir a favor dos ideais que continuam por cumprir e Vítor Alves lembra a legalidade revolucionária de então não é a de um Estado de direito como agora. 51m00: Aurora Rodrigues afirma que para si a militância partidária deixou de fazer sentido mas que o espírito de defesa para uma maior justiça social se mantém e que "podemos dizer as mesmas coisas mas de forma diferente"; Otelo Saraiva de Carvalho considera que as formas de atuação do MRPP são diferentes, Aurora Rodrigues diz que já não tem ligações com o MRPP mas discorda com a acusação de que o MRPP queria destruir o MFA e afirma que nunca foram encontradas armas do MRPP e Otelo Saraiva de Carvalho esclarece que a questão era a desestabilização política, admite que foram cometidos erros e excessos durante o processo revolucionário e que o COPCON funcionava como "um pequeno Estado-Maior que recebia informações e atuar com medidas que impediam ações contrarrevolucionárias". 53m49: Versão curta da reportagem "A cantiga é uma arma... Árgea 1975". 01h02m11: Pedro Lobo Antunes é entrevistado sobre a criação da Comunal de Árgea: Cooperativa Agrícola de Produção, Distribuição e Consumo no verão de 1974 e canta as canções "Corpo Renascido (poema de Manuel Alegre) e "Canção da Felicidade" (poema de Sebastião da Gama).