Nadir Afonso
Programa apresentado por Anabela da Mata no Museu Nacional de Arte Contemporânea o Museu do Chiado, que organiza e produz em articulação com o Museu Nacional Soares dos Reis, uma exposição retrospetiva do arquiteto e pintor Nadir Afonso, que aborda a primeira metade do percurso artístico desenvolvido entre 1930 e 1960 intitulada "Sem Limites", no ano em que este artista comemora o seu 90º aniversário, e a entrevista biográfica conduzida pelo jornalista Carlos Pinto Coelho sobre a sua obra e percurso artístico tendo como cenário o atelier do Rei Dom Carlos no Palácio Nacional da Ajuda e tomando como ponto de partida a sua exposição "Sem Limites".
Resumo Analítico
Anabela da Mata entrevista Adelaide Ginga, Curadora sobre a exposição, vários quadros com o percurso inicial de Nadir Afonso, destaque para o seu primeiro quadro a óleo "Rua da Cadeia", de 1935, pintura sobre a cidade do Porto, quadro "Évora Surrealista", um dos quadros que revela a influência da sua entrada no grupo dos "Independentes", no Porto, pinturas "Máquinas de Costura", e "Demogorgon", que já demonstram influência geométrica, pinturas demonstrativas desta tendência, período barroco dos anos 50 com quadros abstratos e com dualidade cromática, referências ao período egípcio. Sala Illimité com o período áureo do artista, destaque e explicação de vários quadros, tela com cavalete. Núcleo das cidades, numa outra sala, onde retrata ambientes urbanos com linhas de fuga, planos geométricos e escolhas policromáticas, Adelaide Ginga refere a inauguração da Fundação Nadir Afonso, em Boticas, Chaves, sua terra natal. Palácio Nacional da Ajuda, Atelier de Pintura do Rei Dom Carlos, jornalista Carlos Pinto Coelho entrevista Nadir Afonso, fazendo primeiro breves referências biográficas. Nadir Afonso fala sobre a sua paixão pela pintura, o seu curso de Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, o facto da pintura obedecer a leis matemáticas para a construção de uma obra de arte, o desacordo com os estetas, a pintura de Pablo Picasso, que conheceu, a sensibilidade e intuição para a perceção pura das formas. Carlos Pinto Coelho mostra livro do artista e seleciona um quadro "Sevilha Século XXI", onde Nadir aponta um erro e corrige com uma caneta o equilíbrio geométrico preenchendo um negro. Comenta o agudizar da sensibilidade, que advém da idade e da prática, e lhe permite detetar e corrigir erros nas suas obras. Carlos Pinto Coelho aponta no livro a pintura "Les Spirales", de 1954, e Nadir Afonso conta a estória que envolveu a sua criação em Paris, a visita de Vasarely, pintor francês, e a ajuda que lhe deu para a conceção de uma forma harmónica que lhe faltava, em que ambos individualmente encontraram a mesma forma, esta pintura foi convertida em selo pelos Correios de Portugal. Nadir Afonso relembra episódio no Brasil com Óscar Niemeyer, arquiteto sobre o seu processo criativo, a escolha da cor no nascer da obra, na harmonia das formas geométricas, na conjugação do binómio forma-cor. Nadir comenta a pouca relevância do local geográfico para a sua criação artística, explica quadro constante do seu livro numa perspetiva de morfometria, e fala sobre o seu afastamento do "mundo" e a sua necessidade de refúgio, do seu clube de futebol, de Deus e da família, exterior do Palácio Nacional da Ajuda.