Maria Flor Pedroso entrevista Silva Peneda
Maria Flor Pedroso, jornalista e editora de política da Antena 1, entrevista no estúdio da rádio, Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social (CES) que começa por explicar a sua escolha musical, "Nasceu Assim Cresceu Assim", um fado com interpretação de Carlos do Carmo e letra de Vasco Graça Moura; comenta a sua próxima ida para a Europa para trabalhar com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia e as frases por ele proferidas de que "a Grécia precisa de amor" e de que os programas de ajustamento tiraram dignidade aos países onde foram implementados; considera que o problema da Grécia não é económico mas sobretudo de "geo-estratégica" e que o país levantou uma série de questões que alteram a forma de sentir a Europa; como futuro assessor de Jean-Claude Juncker para as questões sociais diz não saber responder ao facto de a Grécia estar a utilizar o dinheiro das privatizações para "pagar prestações socias" e não para pagar a dívida aos países credores; comenta a frase por si proferida quando disse que "Portugal não foi neutral nem construtivo" relativamente à forma como reagiu em relação à Grécia; fala da sua preocupação quando a pouco tempo de sair da presidência do CES, os partidos não chegaram ainda a acordo para a sua substituição; inumera as características necessárias de quem o venha a substituir; diz que nas muitas reuniões ocorridas entre o CES e a Troika, esta foi avisada que a austeridade não era a melhor estratégia a adotar mas não sabe dizer se o governo poderia ter feito diferente; diz que "os fatores conjunturais" atualmente existentes (diminuição o preço do petróleo e das taxas de juro e desvalorização do Euro) é que são responsáveis pela melhoria da economia portuguesa e não o programa implementado pela Troika; gostava de assistir a um debate interno "sério" em Portugal face ao futuro da zona euro, da qual não conhece a posição oficial do país; diz que sai "mais enriquecido" com a experiência que adquiriu no CES e está preocupado com o futuro de Portugal e da Europa; não acha "normal" a eventual existência de uma lista de contribuintes VIP; e não pondera a hipótese de se candidatar à Presidência da República.