Maria Flor Pedroso entrevista João Lobo Antunes
Maria Flor Pedroso, jornalista e editora de política da Antena 1, entrevista no estúdio da rádio, João Lobo Antunes, professor jubilado que começa por explicar a sua escolha musical, "Lisboa Antiga" com interpretação de Amália Rodrigues, fala da sua última aula a que chamou "Uma Vida Examinada"; comenta as "cunhas" como fazendo parte da sociedade portuguesa; fala com reserva das reuniões do Conselho de Estado, a que pertence; comenta a sua citação "eu não sei o que nos espera mas sei o que me preocupa, é que a medicina empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana e ignore a individualidade única da pessoa que sofre, pois embora se inventem cada vez mais modos de tratar, não se descobriu ainda a forma de aliviar o sofrimento, sem empatia ou compaixão", transpondo-a para a sociedade humana que tem a obrigação solidária de tratar dos mais frágeis; tendo sido mandatário nas candidaturas à presidência da República, de Jorge Sampaio (antigo presidente) e de Cavaco Silva (atual presidente) diz que está politicamente equidistante, "à esquerda da direita e à direita da esquerda"; fala sobre "o seu orgulho" que é o Serviço Nacional de Saúde (SNS), como estando entre as instituições mais sólidas da democracia; diz que no serviço que dirigiu no Hospital de Santa Maria nada ficou por fazer por causa da crise, mas diminuíram-se custos e desperdícios; comenta nova citação sua: "Não é por acaso que, muito contra meu gosto se dá hoje preferência a termos como, clientes, utentes e consumidores, em desfavor da designação tradicional, doentes"; não concorda com as notícias que dizem que em certos casos não são os médicos a escolher a medicação a ministrar aos doentes mas sim as administrações dos hospitais que usam medicamentos mais baratos; diz que se se cumprirem as obrigações "faz sentido" os médicos trabalharem nos hospitais públicos e nos privados em simultâneo, considerando que se algum dia for exigida a exclusividade ao SNS, o mesmo vai perder um número substancial de pessoal altamente qualificado; ri com a história de um doente que se queixava da suspensão muito rija do "Bentley" que conduzia e que lhe causava dores nas costas; que o país perde muito tempo (ao contrário de si), sobretudo a falar, e neste momento está centrado em três temas: a polémica do governo com o Tribunal Constitucional, a crise interna no PS e o campeonato mundial de futebol.