Inocência perdida
Reportagem da jornalista Mafalda Gameiro sobre o abuso sexual de menores.
Resumo Analítico
Pessoa a desenhar rosto de criança num papel, mão a rasgar o papel e a tapar a boca da criança desenhada com legendas de criança a falar. Kátia, jovem vítima de abuso sexual, afirma que foi vítima de violência sexual e doméstica, com imagem desfocada e com legendas. Mão de homem a acariciar boneca infantil. Maria, mãe de vítima, afirma que não se apercebia da real gravidade do que se passava em sua casa com legendas. Mão a desenhar criança num papel, voz de criança a contar como era abusada pelo pai, com legendas, desenho de adulto a abusar de criança. Kátia, afirma que se sentia, enquanto criança, impotente perante o adulto que abusava dela, plano de mão de homem a retirar elásticos do cabelo e a tirar a roupa a uma boneca. Maria, afirma que a filha, na infância, rejeitava o próprio pai, não queria estar sozinha com ele, que, na ausência dele, que se referia a ele como "nojento" e não utilizava a palavra "pai". Desenhos de crianças. Carlos Céu e Silva, psicólogo, afirma que todos os desenhos das crianças contam uma história, e mostra um desenho de criança que revela harmonia e outro revelador de uma situação de abuso sexual, imagem do desenho. Maria conta que a filha ameaçou atirar-se da janela se a mãe não fizesse alguma coisa com legendas. Imagens desfocadas das pernas de uma jovem, abrir uma porta. Maria, afirma que "provavelmente não queria entender". Imagens desfocadas do movimento de jovens à saída de uma escola, vistos a partir do interior de um carro. Margarida Martins, da Associação de Mulheres contra a Violência, afirma que "não há crianças que não estejam em risco" e que o abuso sexual é um problema "que está em todo o lado". Kátia, afirma que o padrasto "era muito calminho" com ela e "que fazia tudo o que lhe pedia para em troca aceitar o que ele queria". Mão a desenhar criança num papel, voz de criança a contar como era abusada pelo pai, desenho de adulto a pedir silêncio a criança. Kátia, afirma que nunca contou nada à mãe porque tinha medo da reação dela e porque o padrasto ameaçava matá-la, matar a mãe e suicidar-se. Carlos Céu e Silva, psicólogo, afirma que a criança vive com o dilema de existir um adulto que lhe está a fazer algo que ela não quer e fazer silêncio do que está a acontecer. Imagem da tese académica de Ana Caetano, intitulada "Prevenção legal da recaída dos abusadores sexuais". Ana Caetano, advogada e autora da tese, afirma que se apercebeu "que o abusador pode ser qualquer pessoa" e que "perigoso é dizer que os abusadores sexuais são monstros, pessoas más" porque "se fossem maus não abusavam das crianças porque as crianças não iam ter com eles". Maria, afirma que o marido e abusador era "seguramente um sedutor", homem com luvas a despir boneca. Excerto de reportagem "Sexo Infantil, O Muro do Silêncio" que mostra como os pedófilos se aproximam das crianças, gráfico com previsão das Nações Unidas do números de crianças que virão a ser abusadas. Maria, afirma que o marido tinha um comportamento "obsessivo" que ela identificava como "super-protetor, mas doentio que se manifestava com a necessidade de estar sempre presente em todos os momentos da vida da filha até nos mais íntimos como na higiene pessoal", que "fazia questão de tomar parte ativa na realização dos atos mais pessoais" e que "mesmo quando lhe era pedido para se retirar não o fazia", afirma que para ela, as atitudes do marido eram "estranhas mas não tinham nome". Mão a desenhar criança num papel, voz de criança a contar como era abusada pelo pai. Kátia, afirma que chorou vezes sem conta, que as colegas pensavam que era maltratada mas que "nunca dei motivos para ninguém descobrir mesmo". Carlos Céu Silva afirma que em termos psíquicos é muito difícil recuperar de um abuso na infância e vítima afirma que "não há restauração possível". Exterior e fachada do Hospital Central de Torres Vedras, corredor do hospital, serviço de Pediatria. Otília Mendes Oliveira, Assistente Social do Hospital de Torres Vedras, afirma que o primeiro passo, na presença de um caso de abuso, é averiguar se o abusador está dentro ou fora do agregado familiar. Simulação de análise ao sangue. Isabel Polónia, Subdiretora-adjunta da Polícia Judiciária, a afirmar que devem ser comunicados à polícia todos os casos de abuso de menores. Gabinete da Polícia Judiciária onde se efeituam entrevistas aos menores abusados, sala com mobiliário infantil e colorido. Cristina Soeiro, psicóloga da Polícia Judiciária, a mostrar bonecos especialmente concebidos para facilitar à criança o relato da situação de abuso. Mão a desenhar em papel, voz de criança a contar o que aconteceu quando disse à sua mãe o que se passava. Kátia, afirma que agora pode dizer que é livre. Maria, firma que teve de sair de casa e de viver na clandestinidade para preservar a segurança da filha e que nem se identificava quando precisava de ir ao hospital apesar de ter proteção policial. Imagens desfocadas de crianças e jovens vistos a partir do interior de um carro. Mário Simões, psiquiatra, afirma que não é simples de dar uma explicação para o que pode levar alguém a ser um abusador sexual. Mais um excerto de reportagem "Sexo Infantil, O Muro do Silêncio". Mão a desenhar em papel, criança afirma que a história que contou é verdadeira e que o pai não foi para a prisão, diz que a criança está a mentir. Kátia, afirma que o padrasto não está preso e que se por um lado se sentia aliviada se assim fosse, por outro não queria que os irmãos vissem o que aconteceu com ela e que pensassem que o pai deles estava preso por minha sua "culpa". Imagem de uma página do Código Penal. Margarida Martins, da Associação de Mulheres Contra a Violência, afirma que "a revisão do Código Penal foi feita por causa do "Caso Casa Pia", e que a Associação, juntamente com outras associações "está a tentar mudar isso", e que "é uma vergonha nacional e internacional e que permite a cumplicidade em crime". Cristina Soeiro, psicóloga da Polícia Judiciária, afirma que os agressores que sofrem de psicopatia têm maior possibilidade de reincidência. Imagem da carta de recluso a pedir ajuda a um especialista. Rui Abrunhosa, psicólogo da Universidade do Minho, afirma que quando se tenta uma intervenção não se pode juntar abusadores sexuais com características muito diferentes. Mário Simões, psiquiatra, afirma que há tratamento psiquiátrico e com psicofármacos e que "de um ponto de vista estritamente médico existe a possibilidade de se fazer a castração cirúrgica ou química". Imagens de páginas de jornais com notícias de casos de abuso sexual de menores Maria, afirma que não está segura de que os seus outros filhos não tenham sofrido abusos. Desenho e voz de criança a Rita, a dizer "eu chorei quando era pequenina". Gráfico com a estatística dos casos de violação e abuso sexual em 2006 e com a indicação de que o "caso da Rita" foi gentilmente cedido pela Associação de Mulheres Contra a Violência e pelo Kidscape.