Entrevista a José Eduardo dos Santos – Parte I
Primeira parte da entrevista gravada no dia 19 de setembro na Presidência da República de Angola, em Luanda, conduzida pelo jornalista António Amaral Pais a José Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola, abordando a abertura defendida pelo Governo à iniciativa económica privada, o processo de paz para a África Austral, que inclui Angola e a Namíbia, o problema da fome neste país africano e os objetivos da visita que o Chefe de Estado angolano fará, dentro de dias, a várias capitais europeias.
Resumo Analítico
Vista geral da baía de Luanda e da cidade, travelling pelas ruas da cidade, fachadas de edifícios, trânsito e fachada do Palácio Presidencial, fotografia de José Eduardo dos Santos, populares em ruas da cidade. Inicio da entrevista ao Presidente da República de Angola, que afirma que há fatores externos que influenciam negativamente o país e adianta que tomou medidas para os contrariar, cita a invasão sul-africana e a crise do preço do petróleo como fazendo parte desses fatores externos, o Presidente lembra que já há dois anos, no último congresso do MPLA, o partido tinha constatado que havia excesso de centralismo, burocracia, desorganização e corrupção em Angola, afirma que o seu Governo está empenhado em resolver estes problemas e diz-se genuinamente interessado na abertura da economia à iniciativa privada. José Eduardo dos Santos garante que está a ser feita uma tentativa séria de pôr em prática as orientações do MPLA e adianta que tais orientações de abertura da economia ao sector privado reúne grande consenso dentro do partido e na sociedade angolana, José Eduardo dos Santos explica o significado da «política de clemência» do seu Governo, garante que essa amnistia abrange pessoas que militaram na União Nacional para a Independência Total de Angola, sobre a proposta de paz apresentada para o seu país, José Eduardo dos Santos diz que o Governo atua de boa fé e está à procura de soluções pacíficas, afirma que está disposto a aceitar a retirada das tropas cubanas do território se outras condições forem cumpridas, como a independência da Namíbia e o fim da ajuda militar sul-africana à UNITA, reconhece que o Governo dos Estados Unidos da América tem demonstrado, nos últimos tempos, flexibilidade no tratamento da questão angolana, lembra que a colonização sul-africana da Namíbia é anterior à chegada de tropas cubanas a Angola e, por isso, as questões devem ser resolvidas pela mesma ordem com que surgiram. José Eduardo dos Santos lembra que após o seu último encontro com Fidel Castro, Presidente de Cuba, ambos mostraram publicamente a vontade de contribuírem para a resolução do problema da África Austral, sublinha que a UNITA não tem reconhecimento internacional e que é apenas uma organização manipulada pela África do Sul para desestabilizar Angola, adianta que sem a intervenção sul-africana a UNITA passará a ser um assunto interno, duvida que Jonas Savimbi, líder daquele movimento, aceite ir a Luanda e submeter-se à legislação angolana.