Entrevista a Cavaco Silva – Parte II
Segunda parte da entrevista conduzida pelos jornalistas António Amaral Pais, Carlos Cáceres Monteiro, do "O Jornal", Mário Bettencourt Resendes, do "Diário de Notícias", ao primeiro-ministro, Cavaco Silva, sobre questões de governação e de política nacional.
Resumo Analítico
Cavaco Silva sublinha que a atuação perante fraudes só pode ser tomada quando se está na posse de indícios claros, justifica a não recondução do Presidente da EPAL. Sobre a revisão constitucional aponta como chave essencial que o Partido Socialista a permita, sublinha a utilidade do cargo do Ministro da República para as Regiões Autónomas para a unidade nacional. Enumera o quadro de valores da sua atuação enquanto Primeiro-Ministro e tece considerações sobre a esquerda e a direita políticas, e o diálogo entre as duas facões. Cavaco Silva concorda com a questão levantada relativamente ao caos urbanístico em Portugal, e recorda que o seu Governo foi dos primeiros a preocupar-se com a questão do ambiente e relembra algumas medidas tomadas, assume o atraso em relação à Europa em múltiplos domínios, nomeadamente em relação à qualidade de vida, enumeras reformas que pretende serem tomadas, nomeadamente na agricultura, e que espera não encontrar entraves por parte da oposição, considera excessiva a presença do Estado nos meios de Comunicação Social, defende uma presença mínima do Estado na televisão para garantia de qualidade e identidade nacional, confirma o que disse em declarações, à imprensa americana, de que os Estados Unidos da América não estão a cumprir integralmente o acordo relativamente à Base das Lajes, nos Açores, reforça que Portugal não deixa de proteger os seus interesses, comenta assuntos de política externa, nomeadamente a visita oficial de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, a Portugal, e as relações com Espanha, assume não substituir o Ministro dos Negócios Estrangeiros.