Crianças precisam-se
Reportagem de Teresa Botelheiro sobre as diferentes formas de exploração de trabalho infantil que existem em Portugal.
Resumo Analítico
Mulher e jovem rapariga a coser sapatos, sapatos por coser na mesa da cozinha, Edite Pinto a afirmar que quando chegava da escola estudava e depois cosia sapatos, Carmo Pinto diz quanto ganha por cada par de sapatos cosidos, vistas da aldeia onde vive Carmo Pinto com a filha Edite. Joaquina Cadete, diretora do PETI, Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil, a explicar o que significa trabalho infantil domiciliário, Paulo Morgado de Carvalho, da Inspeção Geral do Trabalho, a afirmar que as situação de exploração de trabalho infantil domiciliário são muito difíceis de detetar. Projetor de filmes, filme de criança a trabalhar no campo a ser projetado a preto e branco, imagens, de câmara oculta, de crianças a trabalhar numa fábrica de sapatos em Portugal com legendado, gráfico com o artigo 55º do Código do Trabalho. Vistas de aldeia, mulher a lavar a loiça, alimentos em cima do frigorífico, Idalina Penteado afirma que "andei sempre assim ao abandono e lembrei-me de fazer de rapaz para ter uma companhia", jovem rapaz, de costas, sentado na escada. A. Penteado, filho de Idalina Penteado e que sustenta a casa, a afirmar que também pensa ser muito novo para já trabalhar. Assistentes sociais a falar com Idalina Penteado à porta de casa e a tentar convencer Idalina a mandar o filho de novo para a escola, Helena Barros, assistente social do PETI, a afirmar que A. Penteado sabe que é a única fonte de rendimento da família. Jovem rapariga a trabalhar num café, jovens a assistir a aula de matemática, Helena Capitão, jovem rapariga, afirma que decidiu voltar a estudar e parar de trabalhar, Luís Costa afirma que sempre teve vontade parar de estudar e ir trabalhar. Raquel Dores, assistente social do PETI, a afirmar que o que "conduz a maior parte dos jovens a uma situação de trabalho é o facto de não valorizarem a escola". Excerto do episódio da série de ficção portuguesa transmitida pela RTP "Conta-me como foi" que retrata o ambiente socioeconómico vivido em Portugal no final dos anos 60. Manuel Alves, criança e ator da série "Conta-me como foi", afirmar que sempre sentiu muito interesse pela representação, Maria Isabel Rio afirma que a decisão do filho, Manuel Alves, se tornar ator foi mais sua do que da criança e que Manuel Alves falta uma tarde por semana às aulas para poder gravar os episódios da série, Manuel Alves afirma que gosta de estudar os papéis da série mais do que estudar na escola. Imagens de anúncios publicitário da marca de produtos alimentares Nestlé a passar em televisão, anúncios publicitários com crianças, Cristina Soares, produtora, a falar sobre o impacto a exposição frequente tem na vida das crianças. Joaquim Quintino Aires, psicólogo, afirma que a presença de crianças em séries televisivas pode resultar, posteriormente, em dificuldades de integração, excerto de anúncio publicitário da Compal, marca de produtos alimentares, Alexandre Carvalho, criança e ator do anúncio da Compal, a afirmar que não se porta muito bem durante as gravações, excerto de anúncio publicitário de marca de brinquedos com Alexandre Carvalho, Helena Carvalho, mãe de Alexandre Carvalho a afirmar que o filho não gosta de se exibir pelo facto de entrar em anúncios publicitários. Excerto de série de ficção com crianças e jovens a ser transmita pelo canal TVI e a passar em televisão, Alexandre Carvalho a afirmar que quando se vê na televisão chama os pais, Helena Carvalho diz quanto ganha o filho por entrar numa telenovela. Excerto de anúncio publicitário da marca Compal, excerto de anúncio publicitário de marca de brinquedos. 14m34: Helena Carvalho a dizer quanto ganha o filho por cada anúncio publicitário. Televisão a passar série de ficção "Floribella" transmitida pelo canal SIC, e da série de ficção transmitida pelo canal TVI. Pedro Granger, ator afirma que já trabalhou com crianças mais novas que gostam muito do trabalho de representação mas que também já trabalhou com crianças que são infelizes e que só o fazem para agradar os pais. Série de ficção "Morangos com Açúcar", transmitida pela TVI, a passar em televisão. Valente, da Produções-Agência de Modelos, afirma que "há pais que impingem imenso" este tipo de trabalhos aos filhos, sala com mães e crianças em agência de modelos infantis. Helena Napoleão, Agência de Produção de Moda, a afirmar que o que importa são os interesses da criança, sala com adolescentes raparigas a serem informadas que vão passar por um "casting", cada rapariga tem um papel com o seu nome, idade e altura. Helena Napoleão a afirmar que "as crianças gostam de se sentir vedetas". 17m47: Joaquim Quintino Aires a afirmar que não há problema na participação de crianças, em anúncios publicitários, telenovelas e teatro, mas que era necessário que existisse legislação que impedisse a mesma criança passasse muito tempo a integrar um, projeto. Crianças pequenas a desfilar como se estivessem numa passagem de modelos, pais das crianças a assistir.