A cruz e o compasso
Reportagem do jornalista José Ramos e Ramos sobre a Maçonaria e a sua relação com a Igreja Católica e o Estado em Portugal.
Resumo Analítico
Início dos trabalhos numa Loja Maçónica presidida por uma mulher, imagem de mãos de membros da Maçonaria com as tradicionais luvas brancas. Dom Carlos Azevedo a percorrer corredor, Dom Carlos Azevedo, Porta Voz da Conferência Episcopal Portuguesa, a afirmar que "segundo o que a Igreja diz nos seus documentos "um católico não pode ser maçon". António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, afirma que "a Igreja Católica, ao longo dos séculos, foi praticamente excomungando os católicos maçons mas desafio quem quer que seja a encontrar um texto da maçonaria em que um católico seja hostilizado ou proibido de entrar na maçonaria", António Reis a percorrer corredor da sede do Grande Oriente Lusitano. Cerimónia no Templo da Grande Loja Tradicional de Portugal. António Reis afirma que "a Maçonaria não é uma religião concorrente com as outras religiões e particularmente com a Igreja Católica", "e não obriga os seus membros a acreditarem num Deus seja ele qual for mas que também não os obriga a não acreditarem em Deus nenhum". Dom Carlos Azevedo afirma que na Maçonaria "há um deísmo um pouco racionalista, que se baseia mais numa religião natural". Excerto de filme com simulação do regicídio. Dom Carlos Azevedo a insinuar que quem incentivava as atuações da Carbonaria, sociedade secreta, estaria ligado à Maçonaria. Assassinato do Rei Dom Carlos, pessoas a visitarem o túmulo dos regicidas. Luís Vaz, Associação de Promoção do Livre Pensamento, afirma que "não há nenhum documento que prove o envolvimento da Maçonaria, da Carbonaria, do partido republicano ou dos partidos monárquicos" no regicídio. Fernando Caeiros, Presidente da Câmara Municipal de Castro Verde, afirma que "não é que nós sintamos orgulho num gesto tão violento como foi o regicídio mas também não sentimos vergonha". Livros sagrados, Bíblia, Tora, Alcorão, numa cerimónia da Loja Maçónica. António Reis afirma "quer algo mais secreto do que a eleição do Papa?" e que "criou-se esse mito da Maçonaria como sociedade secreta que não tem sentido". Dom Carlos Azevedo afirma que há manobras políticas no sentido de limitar a influência da Igreja na sociedade e que é possível que a Maçonaria esteja por detrás dessas manobras mas que "como é secreto, não se sabe bem, desconfia-se" e que "a educação esteve entregue à Maçonaria no tempo de Salazar e é natural que ainda haja alguma influência da Maçonaria dentro do sistema". António Reis referindo-se às declarações de Dom Carlos Azevedo, a afirmar que "isso é uma tese absurda". Cerimónia maçónica presidida por uma mulher, ritual de iniciação de um aprendiz, interior do Templo José Estevão do Grande Oriente Lusitano. Câmara escura onde se efetua um ritual em que quem quer entrar para a Maçonaria tem de simbolicamente "encarar a própria morte, aceitar morrer como homem profano e renascer como homem civicamente virtuoso" Cerimónia, missa, da Igreja Católica. Luís Mateus, Associação Cívica da República e Laicidade, afirma que a Igreja Católica tem muitos privilégios que vêm do passado". Dom João Alves, Bispo Emérito de Coimbra, afirma que "é esse laicismo que a Igreja se opõe" António Reis afirma que "a declaração adotada no Concílio do Vaticano II sobre liberdade religiosa é uma declaração progressista que nós na Maçonaria, subscrevemos e que permite estabelecer o diálogo entre a Maçonaria e a Igreja Católica". Dom Carlos Azevedo afirma que a Conferência Episcopal teve uma posição bastante serena no que diz respeito a decisão de retirar os crucifixos das escolas e de alterar as posições no protocolo porque entendem que são decisões que competem ao Estado mas que "o que veio ao de cima nesse debate foi um laicismo velho e antiquado". Mário Parra da Silva, Grão Mestre da Grande Loja Tradicional de Portugal, afirma que "o crucifixo presente em Portugal é uma realidade presente há muitos séculos" e que "não parece que os crentes fiquem incomodados, e aos não crentes o crucifixo seguramente não os incomoda porque não acreditam nele". Cerimónia maçónica, Cadeia de União. Mário Parra da Silva afirma que "se tiver de recomendar alguém (...) provavelmente recomendarei "um irmão" mas se souber que há uma pessoa melhor do que um irmão recomendarei essa pessoa". António Reis afirma que "cada maçon individualmente deve procurar empenhar-se o mais possível em atos de cidadania e procurar ser excelente do ponto de vista profissional" e que "não telecomandamos maçons no partido A, no partido B, no governo, no grupo económico A...". Dom Carlos Azevedo a afirmar que "a sociedade é religiosa, tem valores religiosos" e "que um Estado que ache que é representante dos cidadãos deve respeitar estes fenómenos e então podemos dialogar e construir um caminho comum se houver este respeito pelos direitos humanos e pela liberdade religiosa". Final de cerimónia maçónica.