A corte carioca
Reportagem da jornalista Rita Marrafa de Carvalho no Rio de Janeiro sobre a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 até 1821, no ano das "Comemorações do Bicentenário da Transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro".
Resumo Analítico
Brasil, vistas do Rio de Janeiro. Declarações de Aldemar, cantoneiro, afirma que sem os portugueses "Brasil não seria Brasil", movimento de rua e vistas da cidade, gravuras com a chegada da corte portuguesa de Dom João VI ao Brasil em 1808. Laurentino Gomes, escritor e jornalista, afirma que o rio de Janeiro era uma cidade muito exótica para a corte que estava a chegar, gravuras com representações da chegada da corte ao Rio de Janeiro e de Lisboa do século XIX. Kenneth Light, historiador, afirma que a transferência da corte de Portugal para o Brasil foi planeada, orquestrada, com alguns meses de antecedência quando Dom João VI mandou regressar todos os navios que patrulhavam o Estreito de Gibraltar contra os piratas. Laurentino Gomes afirma que "o que houve em 1807 foi realmente uma fuga, uma fuga bastante apressada e improvisada" e que "dois tesouros importantes de Portugal, que era a prataria das igrejas e os sessenta mil volumes da biblioteca real ficaram abandonados no Porto de Lisboa no dia 29 de Novembro de 1807". Animação computorizada das movimentações das tropas de Napoleão de França a Portugal. Duarte Pio de Bragança, príncipe herdeiro da Coroa Portuguesa, afirma que "grandes impérios europeus daquela época foram conquistados e humilhados por Napoleão" e que "Portugal foi a única potência europeia que escapou ao domínio Napoleónico". Luiz de Orléans e Bragança, príncipe herdeiro da Coroa Brasileira, afirma que Portugal "preservou a coroa portuguesa". Pintura de Napoleão, desenhos de Dom João VI, gravuras da partida da corte para o Brasil. Kenneth Light afirma que o representante do Papa em Portugal não conseguiu embarcar com a corte e que "o Príncipe Regente sentiu necessidade de uma escolta inglesa", objetos do tesouro real trazido por Dom João VI para o Brasil. Emílio Rui Vilar, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, a afirmar que "os exércitos napoleónicos não traziam apenas a guerra e as pilhagens mas traziam também as novas ideias da Revolução Francesa" e que "é evidente que a vinda da Armada para o Brasil decapitou a Marinha Portuguesa". Vera Tostes, Diretora do Museu Histórico Nacional, afirma que "se a nau Príncipe Real, se perdesse ou naufragasse toda a descendência direta da corte se perderia". Kenneth Light afirma que "a principal comida era pão, que era logo atacado por insetos" e que "a bordo não tinha banheiro ou casa de banho". Laurentino Gomes explica como funcionavam as "casas de banho" das naus e que "havia pragas de bichos, piolhos, ratos, baratas". Retrato de Dom João VI e Carlota Joaquina, animação computorizada com tempestade que destruiu velas e mastros à passagem pelo Equador. Luiz de Orléans e Bragança, afirma que dois dias depois da chegada da corte a Salvador da Baía, Dom João VI "já tinha dois principais ministros nomeados e toda a estrutura de governo foi-se estabelecendo", quadro a ilustrar o "beija-mão" a Dom João VI. Vistas da cidade do Rio de Janeiro. Laurentino Gomes conta que quando as mulheres do Rio de Janeiro viram Carlota Joaquina de turbante, para esconder a falta de cabelo rapado por causa de uma praga de piolhos, acharam que aquela era a última moda na Europa e também passaram a usar turbante. Gravuras com ilustração da corte portuguesa no Brasil, retrato de Dom João VI, Dona Maria e de Carlota Joaquina. Vanderli Teixeira, da Irmandade Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, afirma que a receção que a corte teve na sua chegada ao Rio de Janeiro foi muito diferente da que tinha tido aquando a sua chegada a Salvador da Baía, pois as ruas ficaram "apinhadas de povo" para ver a o rei e a corte. Movimento de rua, exterior e fachada e interior da Igreja do Rosário onde a Sé se instalou "provisoriamente" durante setenta e um anos, vista do Corcovado e da estátua do Cristo Redentor. Luiz de Orléans e Bragança nomeia quais as instituições que foram estabelecidas por Dom João VI no Rio de Janeiro. Vera Tostes, afirma que a transferência da corte para o Rio de Janeiro significou "uma transformação radical e completa na cidade". Exterior e fachada de casas antigas, gráfico com as letras PR de Príncipe Regente numa porta, movimento de rua, gravuras com ilustração de escravos brasileiros. Laurentino Gomes, afirma que o "Estado do Maranhão não tinha qualquer comunicação com o Rio de Janeiro e que ambos se reportavam diretamente a Lisboa" e que "o único ponto de identidade entre as províncias era a língua portuguesa" mas que, com a chegada de Dom João VI "isso começa a mudar muito rapidamente" e que a abertura dos portos em Salvador e liberdade de comércio e de manufaturas no Rio de Janeiro decretada por Dom João VI põem fim ao período colonial brasileiro. Rio de Janeiro, exterior e fachada do Paço Imperial. Exterior e fachada da Quinta da Boa Vista, residência de Dom João VI, retrato de Carlota Joaquina. Laurentino Gomes fala sobre a personalidade de Carlota Joaquina e afirma que "ela foi maquiavélica, muito feia e muito infeliz mas não há comprovação histórica que tenha sido infiel a Dom João VI", que "ela era muito avançada para o seu tempo, com ambições políticas superiores às do marido" e que participou em inúmeras conspirações contra Dom João VI e a corte portuguesa. Capela, viaduto Carlota Joaquina, vistas do Rio de Janeiro. Vladir e Dalva, professores de história afirmam que a maior herança portuguesa é a língua Lindaura, artesã, afirma que Dom João VI "era rei, tomou conta e tentou ajeitar mas a safadeza já vem desde o começo, ninguém ajeita isto aqui". Laurentino Gomes, afirma que a corrupção no Brasil é herança de Portugal mas que "este país é nosso quase 200 anos por isso não dá para eximir os brasileiros da culpa". Vera Tostes, afirma que quando Dom João VI elevou o Brasil a Reino Unido "nesse momento foi criada a independência e que o filho faz em 1822 já em consequência". Luiz de Orléans e Bragança, afirma que o "Brasil teve a graça de não se subdividir em inúmeras "republiquetas" como acontece na América Espanhola, permaneceu Uno". Retrato, vistas da cidade, praia de Guanabara Dalva afirma que "o processo de independência do Brasil já começa com a chegada da corte". Vanderli Teixeira, afirma que "Dom João VI era visto como um bobão, bonachão, um comedor de frangos e um fugitivo mas que depois da organização das comemorações dos 200 anos Dom João VI começou a ser visto como de facto era". Luiz de Orléans e Bragança, afirma que Dom João VI "era muito inteligente, sagaz, esperto benévolo, muito acessível ao povo e foi um dos soberanos mais queridos do Brasil". Retrato de Dom João VI. Kenneth Light, afirma que Dom João VI "entrou para a história como "o Clemente", que agiu corretamente e que sabia o que estava fazendo". Retrato de Carlota Joaquina. Laurentino Gomes a falar sobre as crises de pressão de Dom João VI. Livro de Francisco Manoel de Oliveira, gravuras e retratos. Vera Tostes afirma que "não acredito que se a corte não se tivesse mudado para o Brasil que a independência teria chegado mais tarde" mas que talvez a República tivesse chegado mais cedo. Exterior e fachada de igreja. Vanderli Teixeira, fala sobre o Dia do Fico que seria mais tarde a senha da independência do Brasil. Luiz de Orléans e Bragança, afirma que Dom João VI quando deixou o Brasil deixou "deixou tudo pronto para fazer a independência". Laurentino Gomes, afirma que se em vez de Dom João VI, tivesse ido Dom Pedro para Portugal muito provavelmente a independência brasileira seria declarada por Dom João VI e não por Dom Pedro. Gravuras, retrato de Dom Pedro, vista do Rio de Janeiro. Loja de sumos, estabelecimento de um português, António Castro, emigrante português, afirma que veio ter com o pai e nunca voltou para Portugal, vistas da cidade. José Carlos, estudante sénior, afirma que "foi uma traição com Dom Pedro II e que a República brasileira foi um golpe de estado" e de Rossana, banhista, afirma que "seria melhor Rei, porque Rei o que fala ele cumpre, enquanto que o nosso Presidente o que fala não cumpre". Gravura com Dom João VI e de Carlota Joaquina, retrato de Carlota Joaquina. Paço Imperial, exterior e interior de sala da Quinta da Boa Vista, interior da Igreja do Carmo, interior da Igreja da Nossa Senhora do Rosário. Vanderli Teixeira, fala da recuperação da igreja de Nossa Senhora do Rosário. Monumentos que marcam época joanina com marcas de degradação e abandono Laurentino Gomes, afirma que o estado de degradação dos monumentos que marcam época joanina "é obra da República, depois da República houve um esforço de construção de novos heróis republicanos e de tentar apagar o passado". Movimento de rua, vistas da cidade do Rio de Janeiro.